Escrever sobre a maior paixão esportiva nacional
Meus amigos… (como diria o grande João Saldanha):
Estava eu posto em sossego, recuperando-me de uma operação, dando tratos à bola e lendo – outra grande paixão – quando a idéia me chegou pronta. Naquele instante, eu tive a resposta a uma pergunta que sempre me fiz – como é que os compositores fazem letra e música ao mesmo tempo, a idéia saindo pronta e completa, para só depois ser aprimorada?
Foi isso o que me ocorreu quando uma lâmpada acendeu subitamente sobre a minha cabeça recostada nos travesseiros, notebook no colo, batucando o teclado, lendo jornais, sites e blogs, e respondendo e-mails.
– Por que não fazer um site sobre livros de futebol? E por que não editar eu mesmo os meus próprios livros?
A experiência vem de longe. Mais precisamente desde 1980, quando aceitei o convite para dirigir o que então era a Gerência de Publicidade da Editora da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro.
Foi notável, não apenas porque tínhamos ali editora e livraria juntas num mesmo local, o que me permitiu aprender os dois lados da questão: o fazer e o comercializar. Isso sem contar que, durante um bom tempo, fui dirigido pelo notável escritor J. J. Veiga (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_J._Veiga).
Eu havia sido mordido pela leitura ainda criança. Meus pais, apesar de não terem tido as oportunidades de estudo que ofereceram aos meus dois irmãos e a mim, sabiam que literatura, cultura era importante. E nos proporcionavam livros, música, cinema, jornal – primeiro, o Correio da Manhã, depois o velho Jornal do Brasil, aquele da condessa. Havia muito Monteiro Lobato, e como aquilo era bom!
Em 1957, meu pai entra correndo na vila de casas e um bloco de seis apartamentos onde morávamos em Vila Isabel. Era 22 de dezembro, fazia calor e ele gritava como um possesso, rodando sobre a cabeça uma camisa listrada em preto-e-branco: o Botafogo de Futebol e Regatas, time pelo qual ele torcia, havia acabado de se tornar campeão carioca, ao golear o Fluminense por 6 a 2, com cinco gols de Paulinho Valentim e um de Mané Garrincha. Ele entrou em casa como um doido e, me vendo, me vestiu a camisa do artilheiro, de uma vez só, e abraçou minha mãe, que não ligava muito pra futebol.
Ainda hoje, quase cinqüenta anos depois, lembro da textura, do peso e do cheiro da camisa. Era a camisa 8, com que Paulinho detonou o Fluminense. Pronto! Eu acabava de me tornar Botafoguense, como meu pai. Meus dois irmãos optaram pelo Fluminense (o mais velho) e pelo Flamengo (o mais novo).
Futebol e literatura deviam andar mais juntos do que andam no país do futebol. Se vendêssemos mensalmente, em livros, um pouco, um pouco só do que se arrecada semanalmente nas bilheterias dos estádios, a indústria do livro no Brasil estaria muito além do que está.
Não vou cair agora na discussão se o livro é caro ou barato no Brasil, se o brasileiro lê muito ou pouco. Todo mundo sabe que isso é um efeito tostines que, um dia, a gente vai ter que sentar para debater e resolver. Num futuro post, a gente levanta esse papo aqui.
Vai ser bom ler o que vocês pensam. Porque o Brasil precisa de educação. E a educação através da leitura é um grande aprendizado, uma arma poderosíssima. Quem lê muito, escreve e fala bem. Pensa e, logo, existe. Não se deixa enrolar por politiqueiros, na vida pública e até no futebol. Separa o joio do trigo. Cresce. E começa a fazer tudo o que de bom precisam a sua casa, o seu prédio, o seu bairro, a sua cidade, o seu estado, o seu País.
Eu gosto de livros. E gosto de futebol. Por isso, fiz o que chamo de “site-editora”. Para juntar duas paixões. Quero editar o que não foi editado. Quero editar literatura que tenha o futebol como pano de fundo. Quero honrar os craques esquecidos. Quero contemplar a excelente produção acadêmica que se faz nas universidades brasileiras sobre o futebol.
Estou aberto, claro, sempre, a críticas e sugestões. A receber originais de novos ou consagrados escritores. Estou no mercado e pretendo colocar, nos livros que editar, as idéias que desenvolvi a partir do aprendizado adquirido trabalhando em e para editoras. Lendo livros, jornais, revistas. E vendo futebol.
Sejam bem-vindos ao Blog do LivrosdeFutebol.Com. Escrevam-me. E até à próxima!
Um abraço,
Cesar Oliveira
cesar.oliveira@livrosdefutebol.com