15 de Janeiro de 2008

Pela privatização dos serviços de Correios no Brasil

Arquivado sob: Livro, Livros — Cesar Oliveira @ 14:37

Prezados Leitores:

Em abril do ano passado, colocamos no ar este www.livrosdefutebol.com. Ele é o embrião de uma pequena editora, que trabalhará neste nicho, com lançamentos previstos já para este ano de 2008. As visitas estão num patamar muito bom, as vendas deslanchando, enfim tudo correndo dentro do desejável.

Acontece que um dos braços do mecanismo que faz este site funcionar é os Correios.

Lá no site, eles dizem que a “missão” deles é facilitar as relações pessoais e empresariais mediante a oferta de serviços de correios com ética, competitividade, lucratividade e responsabilidade social. E que a “visão” é ser reconhecida pela excelência e inovação na prestação de serviços de correios.

Ao mesmo tempo, quando falam dos valores que priorizam, colocam a satisfação do cliente em primeiro lugar. E, em último, a excelência empresarial.

INSATISFAÇÃO GARANTIDA

Como vendedor de livros pelos Correios, estou muito insatisfeito. Não há como usar nada diferente do impresso registrado módico, que acho que a estatal trata como “encomenda normal”, que nem aparece nos “prazos” que o site informa aos clientes.

Diz lá que o prazo da encomenda normal é de 15 (quinze) dias úteis, determinado em função da distância entre a origem e o destino da remessa. E mais: postagem originada ou destinada às localidades da Região Norte atendidas por transporte fluvial, poderá ter o prazo de entrega aumentado em até 25 dias úteis.

HOJE COMO ONTEM, UM PAÍS SEM LIVRARIAS

Ora… bem sabemos, nós que trabalhos com livros, que as cidades do interior não são contempladas com livrarias de qualidade, como temos nas capitais e nas chamadas “grandes cidades”. Meu cliente é, basicamente, um morador do interior, que tem internet mas não tem livrarias ou fácil acesso a elas.

Interessante que eu, hoje com 55 anos, quando tinha 26, redator de propaganda e consumidor voraz de livros importados de propaganda, propus ao meu fornecedor que trabalhássemos o mercado do interior do Brasil.

Se naquele longínquo 1978 era complicado para mim, no Rio de Janeiro, ter acesso a um anuário norte-americano, europeu ou japonês de propaganda, imagine do que seria fora do eixo Rio-São Paulo.

Propus, então, ao “Paulistinha” – um rapaz educado e tímido que vendia os livros para a gente na Aroldo Araújo Propaganda – que fizéssemos um trabalho voltado para o mercado do interior. Dei a ele um exemplar do Anuário Brasileiro de Propaganda e sugeri que datilografasse (lembre-se… não existia computador…) envelopes com todos os nomes de pessoas físicas e jurídicas constantes do Anuário, que não fossem do Rio de Janeiro ou de São Paulo.

Abreviando, o resultado foi que, em seis meses, o “Paulistinha” comprou um apartamento (para casar), em São Paulo. Ele passou a vender, então, pelos Correios, em apenas uma semana, o que vendia durante uma quinzena andando por Rio e São Paulo. Isto é, a demanda estava repridimíssima.

Incrível que hoje, passados 30 anos, parece que nada mudou. Apenas a internet facilita a vida de quem, morando no interior do Brasil, deseja comprar um simples livro.

Acontece que os Correios são um monopólio estatal. Fora dos serviços que eles prestam, só FedEx, UPS, DHL etc. E os Correios parece que, hoje, só se incomodam mesmo com o Sedex, um dos maiores anunciantes do Brasil. A gente entra no site deles e é Sedex pra cá, é Sedex pra lá…

Mas… e as cartas, telegramas e encomendas dos cidadãos comuns? Quando a gente registra uma reclamação, um pedido de informação pelo “Fale Conosco”, recebe uma mensagem automática de que o prazo de resolução do problema é de 30 (trinta) dias!

OS CORREIOS PODERIAM SER DESMEMBRADOS

Ora!, que cliente aceita esperar esse tempo todo para receber o seu livro, ter o seu problema resolvido? Nem eu, como consumidor que sou, usuário de compras pela internet, aceitaria isso. A minha sorte é que não deixo cliente sem resposta rápida e honesta. E eles reconhecem isto.

Gostaria de aqui uma discussão que considero fundamental, e que já propus no próprio site dos Correios, que já propus ao Deputado Fernando Gabeira e que já escrevi para a chamada “grande imprensa”: os Correios devem decidir se eles são uma estatal a serviço do povo brasileiro que, em última análise, paga para que aquela máquina funcione ou se querem ser a Sedex S/A.

Aliás, não seria má idéia um desmembramento: os Correios continuariam atendendo os “mortais comuns” e uma empresa chamada “Sedex” cuidaria de quem pode pagar por esse (caro) serviço.

Do jeito que está, é que não pode ficar!

Cordialmente,
Cesar Oliveira
cesar.oliveira@livrosdefutebol.com
www.livrosdefutebol.com

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